O administrador Rui Pinto abordou esta quinta-feira, na sessão de abertura da Money Conference, os desafios e as oportunidades das novas ferramentas tecnológicas para a banca.

Utilizar, mas com moderação e precaução. Esta é a recomendação de Rui Pinto, administrador do Banco de Portugal, sobre a incorporação de ferramentas de inteligência artificial (IA) no sector, algo que diz já estar a acontecer em território nacional. “Esta utilização é, em grande medida, experimental e não efetiva [na Europa]. A nível nacional, o cenário é semelhante, ainda que com taxas de utilização ligeiramente inferiores”, assinalou durante a sessão de abertura da Money Conference, que decorre esta quinta-feira em Lisboa.

O evento organizado pelo Global Media Group, que junta na Lapa os CEOs dos principais bancos nacionais, dedica-se este ano a debater o impacto da IA no sector, mas também os novos desafios trazidos pelo contexto económico pouco favorável e pela queda do Governo.

Sem se referir à demissão de António Costa, Rui Pinto concentrou a sua intervenção na perspetiva do regulador face à adoção de novas tecnologias para suportar, e digitalizar, a atividade bancária. Para o administrador do BdP, “a crescente digitalização da atividade é condutora de economias de escala e consequente aumento dos índices de rentabilidade”, que são “essenciais” para a avaliação do supervisor sobre a sustentabilidade das contas dos bancos.

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A IA surge, por isso, como mais uma forma de tornar a atividade mais eficiente, com benefícios para as instituições, mas também para os clientes. Estas ferramentas não são, porém, totalmente novas para o sector, que já utiliza “técnicas de IA sobretudo na gestão de risco” com capacidade preditiva “superior” aos modelos lineares até aqui utilizados. “Existem ainda outras áreas relevantes de aplicação de IA na gestão de risco,

nomeadamente na gestão de risco de cibersegurança”, acrescenta Rui Pinto, que evoca ainda as potencialidades da tecnologia na deteção de situações de branqueamento de capitais.

Para o responsável, existem dois tipos de desafios neste processo de inovação: os ligados à adoção e aqueles relacionados com a utilização. “Os desafios de adoção estão relacionados com a capacidade de a banca incorporar a IA na sua atividade, extraindo todos os benefícios associados”, aponta. Entre eles, a necessidade de “investimento em infraestruturas” capazes de armazenar e tratar uma quantidade crescente de dados, mas também de capacitação interna. Ao nível da utilização, Rui Pinto considera fundamental “assegurar que a utilização não impacta negativamente os clientes ou a estabilidade financeira” das instituições.

“Os modelos de IA generativa podem produzir resultados factualmente incorretos, mas que são os mais corretos face ao modelo e dados que o alimentam. Este risco torna-se mais provável de acontecer em situações de crise, o que não acontece se a decisão depender de julgamento humano”, alerta ainda.

Para tudo isto, é preciso garantir que os riscos da incorporação de novas tecnologias são conhecidos, mas também exercer o poder regulatório de forma atenta e eficaz para evitar consequências negativas para a banca. “O BdP, enquanto autoridade de supervisão, está confiante na capacidade do sector em tirar partido destes avanços tecnológicos”, remata.

A Money Conference decorre na manhã desta quinta-feira, em Lisboa, numa organização conjunta do Diário de Notícias, Dinheiro Vivo e TSF.