O novo selecionador nacional anuncia na sexta-feira a sua primeira convocatória. Os antigos internacionais João Alves e Beto Pimparel estão à espera de sangue novo na equipa, mas têm opiniões diferentes quando à continuidade dos dois capitães entre os eleitos.

Roberto Martínez anuncia na próxima sexta-feira a primeira convocatória como selecionador nacional de Portugal, existindo curiosidade para perceber quais serão as novidades relativamente às últimas escolhas de Fernando Santos, para o Mundial 2022.

Há muitas dúvidas em cima da mesa. Florentino Luís e Chiquinho (ambos do Benfica), João Mário (FC Porto) ou Vitinha (Marselha) serão ser chamados à seleção principal pela primeira vez? E os sportinguistas Gonçalo Inácio e Pedro Gonçalves vão regressar, sendo que o central, apesar de já ter sido convocado, não chegou a fazer a estreia? Por outro lado, os veteranos Cristiano Ronaldo e Pepe continuarão a fazer parte do grupo? E o benfiquista Rafa Silva, que renunciou à seleção nacional, poderá fazer marcha-atrás nessa decisão? As dúvidas são muitas e serão esclarecidas quando for conhecida a primeira lista do treinador espanhol.

João Alves e Beto Pimparel, dois antigos internacionais portugueses, lançam o debate no DN sobre as questões que envolvem a primeira convocatória de Roberto Martínez. “O Florentino merece ser chamado, em face das excelentes exibições que tem protagonizado e talvez seja ele uma das grandes novidades”, começa por referir o antigo médio, juntando ainda o nome de João Mário, defesa direito do FC Porto, entre as possíveis novidades, defendendo que tem estado num nível alto.

Nuno Santos, extremo do Sporting, é outro dos nomes que João Alves põe em cima da mesa, embora tendo em conta questões táticas: “O Sporting joga num esquema de três defesas, o que pode dificultar a sua convocatória. Vamos ver qual será o esquema tático preferencial de Roberto Martínez, mas a verdade é que chegou a utilizar muitas vezes três centrais na seleção da Bélgica, por isso o Nuno Santos pode ter algumas hipóteses.”

No entanto, a principal curiosidade de João Alves está centrada no que vai ser feito relativamente a três velhos conhecidos. “Em primeiro lugar, estou expectante para perceber se o Cristiano Ronaldo vai ser chamado. Pode entender-se, com toda a legitimidade, que se pretende abrir um novo ciclo e por isso faz sentido prescindir dele e chamar outros jogadores. Ou então continuar a chamá-lo, caso o Cristiano aceite jogar 10, 20 ou 90 minutos, demonstrando total disponibilidade para alinhar quando o treinador o entender. Mas para que isso aconteça, teve de haver uma conversa frontal entre Roberto Martínez e o jogador”, defende.

De seguida, João Alves coloca Pepe, outro veterano, “no mesmo patamar de Ronaldo e caso esteja disponível para não pensar que tem lugar cativo, sem dúvida que poderá continuar a ser convocado, pois todos vemos que, mesmo com 40 anos, continua a ser um ganhador por natureza e a demonstrar uma ambição muito grande”.

Regresso de Rafa “pouco correto”

O terceiro “velho conhecido” que desperta a curiosidade de João Alves é o benfiquista Rafa Silva. “Por princípio, parece-me pouco correto que um jogador que abdique de representar a seleção acabe por ser convocado pela mesma entidade, embora com outro selecionador no cargo. No entanto, não estou na posse de todos os dados e não sei quais foram as razões do Rafa para renunciar. Mas no futebol não há barreiras intransponíveis, por isso, vamos ver”, afirma.

Beto Pimparel, outro ex-internacional português, não espera grandes alterações na primeira convocatória de Roberto Martínez, mas acha que pode existir uma ou outra novidade. “Penso que vai ser mantida a espinha dorsal da seleção, mas todos temos visto como o novo selecionador tem estado atento, assistindo a muitos jogos, nos quais certamente observou jovens valores. Acredito que irá chamar um ou outro jogador que nunca tinha estado na seleção A, até para poder trabalhar com ele e perceber se esse ou esses futebolistas se encaixam no que ele pretende”, refere.

O antigo guarda-redes de Sporting e FC Porto prefere não avançar o nome de qualquer “novato” como hipótese para ser chamado. “Não quero influenciar Roberto Martínez, mas a verdade é que existem inúmeros jovens com muito talento e qualidade para jogarem por Portugal. Costuma dizer-se que é difícil escolher apenas 26 num leque tão alargado de possibilidades, mas para mim é fácil. Difícil seria se não houvesse tantas opções”, diz.

Beto defende a continuidade de Ronaldo e Pepe no grupo. “É muito subjetivo falar-se em novo ciclo. É verdade que o Pepe tem 40 anos e o Cristiano tem 38, mas jogo após jogo continuam a apresentar rendimento. E quem apresenta rendimento, deve ser chamado, independentemente da idade”, sublinha.

Há algo em que João Alves e Beto estão de acordo: os portugueses devem apoiar Roberto Martínez nestes primeiros tempos como selecionador. O “Luvas Pretas” entende que “este treinador não caiu em Portugal de paraquedas e tem um bom currículo, com bons resultados, necessitando da confiança e ajuda dos portugueses, até porque não foi ele que obrigou a FPF a ir buscá-lo”. Já o ex-guarda-redes confessa que segue há algum tempo o trabalho do espanhol e que é apreciador da sua proposta de jogo, defendendo que “realizou um trabalho extraordinário na Bélgica, tendo alcançado ótimos resultados e levado a equipa a ocupar o número 1 do ranking da FIFA”.

Refira-se que a estreia de Roberto Martínez é no dia 23, em Alvalade, com o Liechtenstein, seguindo-se três dias depois a visita ao Luxemburgo, em partidas de apuramento para o Euro 2024.